Palmas (TO), 12 de novembro de 2025 – A Polícia Federal, por meio da operação denominada Operação Nêmesis, cumpriu na manhã desta quarta-feira (12) ao menos 24 mandados de busca e apreensão nas cidades de Palmas e Santa Tereza do Tocantins, autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A investigação mira o governador afastado Wanderlei Barbosa, que já vinha sendo alvo da Operação Fames‑19, por suspeitas de desvio de recursos públicos destinados ao enfrentamento da pandemia de Covid-19 e à prestação de serviços relacionados a emendas parlamentares.
Segundo a PF, a nova fase da investigação busca apurar a obstrução de investigação — documentos e materiais teriam sido removidos ou ocultados para dificultar os trabalhos da Justiça.
Cronologia das operações e do afastamento:
• Fase 1 da Operação Fames-19: Em agosto de 2024 foram deflagradas ações da PF que apontavam desvios de recursos para cestas básicas durante a pandemia.
• Fase 2 da Operação Fames-19: Em 3 de setembro de 2025, nova fase com elementos que levaram ao afastamento de Wanderlei Barbosa do cargo de governador por decisão do STJ.
• Operação Nêmesis (12 de novembro de 2025): Cumprimento de mandados por suposta obstrução à investigação da Fames-19, reafirmando o envolvimento de agentes públicos no Estado do Tocantins.
Consequências para o Estado do Tocantins
A continuidade desse quadro com o governador afastado e sob investigação compromete a estabilidade política e econômica do Tocantins. A indefinição sobre quem exerce plenamente o poder executivo, os questionamentos sobre a governança pública e as interrupções institucionais geram impactos diretos:
• Redução da confiança de investidores, que buscam previsibilidade e governança clara para decidir por empreendimentos no estado.
• Fragilização de projetos estruturantes, licitações e convênios federais/subsidiados, que dependem de autoridade com respaldo pleno.
• Risco de interrupção de políticas públicas essenciais em momentos de recuperação econômica pós-pandemia, afetando serviços à população.
• Ambiente político turbulento pode levar à fragmentação da base de apoio e à paralisação de iniciativas importantes para a geração de emprego e renda.
Para a sociedade tocantinense, o momento exige transparência, responsabilidade e reforço das instituições. A busca por responsabilização dos atores públicos não pode comprometer o funcionamento regular do Estado, nem servir de justificativa para paralisar o progresso.


